quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Uma foto uma história

Por: Manganão das dúzias



"Estás a ver esta garrafinha? Estás?.. Olha bem para ela e pensa comigo o que ela representou e para o que irá servir...

Antigamente, esta garrafa era o invólucro sagrado onde guardava para ti todo o meu amor. Todos os suspiros, todos os desejos, todas as vontades que me suscitaste ao longo do tempo fui guardando nesta garrafa, nesta garrafa de loucura, de sonhos que ficaram por cumprir...

Mas tu tinhas que a abrir, não tinhas? Não podias deixar que ela permanecesse fechada e casta, não, tu tinhas de a abrir, porque tinhas e porque não soubeste respeitar os meus sentimentos.

Agora, olha, a garrafa está vazia, gota a gota foi secando, como podes verificar, e do amor antigo nada sobrou. Agora, olha, só sobrou por ti uma coisa. Não te digo qual é, mas guarda a garrafita, que ainda te será de grande utilidade agora que parti..."

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Dia de S. Valentim - os presentes



Cartoon daqui

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Uma foto uma história

Por: Ness Xpress



O furador

E lá vinha mais uma comemoração pessoal imposta pelo calendário dos outros. Bem lutava contra elas, as impostas, mas sabia que, mesmo que se esforçasse no dia-a-dia, quando se conseguia disciplinar para tal, havia sempre um gostinho residual na boca, à força da avalanche televisiva, radiofónica, do escaparate das lojas e da restante máquina de criação de necessidades onde elas não existem, que impunha algo de diferente, por muito parecido que fosse com outros dias não esperados. Felizmente, a mente feminina que não se consegue alhear da hipnose colectiva é a mesma que liga o interruptor logo que percebe um pequeno gesto mais afectivo.

Daí que, enquanto furava um conjunto de folhas para arquivar, se tenha recordado da pergunta mais feminina de todas e tenha arquitectado, perdão, engendrado, que a acção seria muito mais executiva, um plano infalível. Agarrou no lápis, que é como quem diz no rato do computador e desenhou um punção para executar na serralharia. Desenhou uma matriz com a mesma forma e pediu ao seu mais dotado mecânico que a montasse no furador. Foi, então, comprar uma cartolina vermelha, que se entreteve a recortar enquanto sorvia um café em pequenos goles. Abriu o frasco de perfume comprado para o efeito e juntou-lhe todos os pedacinhos recolhidos.

Quando o momento chegou, colocou o embrulho em cima da mesinha de cabeceira e esperou pela pergunta fatal: “Gostas de mim, gostas?”. Sorriu e respondeu “Sim” como habitualmente, matreiro, à espera da pergunta disparada logo de seguida: “Quantos ...”. Desta vez não a deixou terminar a frase. Calou-lhe os lábios com o dedo indicador, pegou no frasquinho ainda embrulhado e respondeu: “Tanto quantos os corações dentro deste frasco”.

Acertou na reacção dela. Só não previu que o perfume se evaporaria antes do final da noite.

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Uma foto uma história

Por: Fresquinha



Minha azevia de batata doce,
Eram lindas as noites debaixo do teu luar, encostada aos teus sovacos peludos e macios, com o teu cheiro a lexívia pura que brotava da unha grande do pé direito, a unha da micose, do teu arfar lento e cadenciado, do teu hálito de alho e bacalhau. Eram as noites quentes do suor ácido e das fezes verdes que brotavam dos campos onde fazíamos os nossos pic nics de beira de estrada.
O teu olhar rameloso e gotejante, espreitava-me as entretelas por detràs dos cacos de garrafa que te escondia uma miopia grave e crescente. Desabotoava o crochet para te provocar, e desdita a minha, encontrava o vazio dos meus propósitos pendurados na ingenuidade de sacristão atormentado.
Hoje venho dizer-te que o meu coração encontrou o ventrículo certo para te instalares, balouçares as pernas na flanela cinzenta e beijares-me as borbulhas do queixo, abraçares-me os refegos do umbigo, e se possível, dares-me aquela pinocada que acabará com a virgindade de me aperta os glúteos esquerdos, porque dos direitos já tomei conta.
Amo-te à razão de dois por três, sem desconto, nem promoção.
Espero-te à saída do Carrefour onde poderás dar a resposta. Levo na alembrança as tuas promessas feitas à Fátima.
Tua fore ever,
Deolinda Malhadinha aka fresquinha

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Uma foto uma história

Por: Marta



Já nos conhecíamos, mas ainda não tinha sido despoletada nenhuma faísca, quando naquela noite te vi dançar ao som de Santana, o nosso olhar entrelaçou-se, o tempo parou, o ritmo quebrou e ficámos expectantes, envolvidos por corações que caíam sem sabermos de onde. Um pouco depois, rodeada pelos teus braços, envolvida em paz, deixei-me levar encostada a ti.

Continuámos a dançar ao longo destes anos: Umas vezes mais afastados, dias houve que mesmo sem sabermos como, dançámos de costas voltadas; outros mais chegados; outros ainda, a maioria, bem abraçados sem espaço para dúvidas ou reclamações.

Chegados a este São Valentim, no qual transformas quase todos os dias com horas de entranhada cumplicidade, de profundo humor, de enormes gargalhadas e algumas, poucas, de séria zanga, Meu Amor viver sem ti já não poderia, já não saberia, já não quereria e felizmente não serei eu que sem ti ficarei.

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Uma foto uma história

Por: Butterfly



Amor, é aquilo a que se chama...
Fidelidade...
Companheirismo...
Atenção, e carinho!
Há momento mais bonito, quando se troca um olhar, e se deixa transparecer a pureza do Amor?
Quando se pega na mão da outra pessoa, e se sente...uma química inexplicável...
Amor, não é só um beijo, ou uma palavra, não é só um presente nos dias lembrados, Amor é lembrar todos os dias, que o outro alguém existe, que faz parte das nossas vidas...
Amor não é uma palavra dita...em vão!
È uma palavra sentida...no coração!
Amar é saudável, faz bem, mas por vezes faz sofrer...
Mas, um coração aguenta sempre quando a dor tem como nome...
Amor!

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Uma foto uma história

Por: Fausta Paixão



Caríssimo S. Valentim

Fiz pesquisas no google, percorri as páginas amarelas, fui pelo firefox e depois andei de farmácia em farmácia e saí de cada uma deixando os funcionários de rosto vermelho e olhos no chão. Devem ter pensado que sou tonta, mas não, o que eu queria mesmo era um produto polivalente – multiusos, melhor dizendo – que se pudesse tomar via oral sendo gostoso, mas que pudesse funcionar como hidratante corporal, sendo guloso e ainda com propriedades de lubrificante genital, sendo viscoso.

Tudo em um, sim!

E de preferência com propriedades viagrais ou cialíticas (yomba oro também serve, especialmente se for apresentado em forma de coração vermelho vivo).

Chamar-lhe afrodisíaco é denominação já gasta e banalizada por tudo o que aparece no mercado para vender sem muito esforço.

Pois meu caro aqui tem o milagre: tome, prove, lamba, gargareje, espalhe, polvilhe, massage, unte, borrife, faça como melhor lhe aprouver, mas por favor deixe um frasquinho em casa de cada ser humano da sua espécie com a recomendação de que devem usar sem restrições.

A ver se é desta vez que me sai a sorte grande!

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Dia de S. Valentim

Tive isto mais uns beijinhos e um Amo-te Muiiiiiiiitttttttto
O "resto" não houve tempo, só logo à noite...




E posto isto segue a rubrica "Uma foto uma história" também ela relacionada com o dia de hoje.

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