quinta-feira, março 22, 2007

Uma foto uma história


The deer hunter


Foi o aspecto esbelto que lhe despertou os sentidos. O ar polido também ajudou, parecia ter músculos de aço, num corpo onde nem um grama que não fosse da mais pura fibra metálica se vislumbrava. Imaginou-se a derreter com suas mãos o grão reluzente daquela pele sem falhas. Até que viu o verde límpido dos seus olhos faiscantes.

Aproximou-se. Encheu o peito de ar e arriscou:

- Se os lagos que alimentam os arrozais vietnamitas tiverem uma água com metade do brilho dos seus olhos, então compro já o bilhete de avião e volto a pé se for preciso.

A frieza com que ela o olhou foi metálica.

- Lembra-se do “Caçador”? Tenha cuidado com as sanguessugas.

Não desarmou.

- Conseguiu acertar num dos meus filmes de culto. A América dos anos 70.
- Você é daqueles que pensa que tudo era melhor por ser livre. É um adepto do flower power.

Entusiasmado, não pressentiu o perigo.

- Esse filme já vi. O outro é um filme mais genuíno do ponto de vista das consequências da guerra. Gosto da atmosfera tensa, a cena da roleta russa é um clássico.

O olhar frio iluminou-se, com um brilho de gelar.

- É então um jogador.
- Gosto de arriscar. Quem não arrisca não petisca.

Os lábios dela esboçaram um leve sorriso matreiro.

- Já jogou à roleta russa?
- Nunca nenhuma mulher bonita me concedeu tamanho privilégio.
- Então hoje é o seu dia.

Num gesto rápido de felina, rodou sobre si própria e aplicou-lhe um colocadíssimo pontapé nas bobinas da fita.

Etiquetas:

Uma foto uma história

A contribuição a seguir, resolveu responder-me com a mesma moeda e fez a sua história com uma foto

Por: Psique



Legenda: Tanto deu, tanto deu que olha o resultado...


Etiquetas:

Uma foto uma história



Por: Bartolomeu

Percebi quando ela chega

E vê o meu prego oleado

Quer prega-lo na sua prega

Quer ter o prego entalado

Então pede com carinho

E ar de gata perdida…

Pega no teu martelinho

E prega o prego à querida

Fingindo que não tou ali

Mas já de olho na prega

Passo o dedo na “Fi Fi”

E espeto-lhe o prego na prega

Se o prego não vergar

E a prega não der nega

Passamos a noite na prega

Até o óleo secar


Etiquetas:

Uma foto uma história



Por: Morsa

O Pregador do Parque

Ia um dia um prego na rua muito em disposto quando resolve entrar no ginásio onde o seu primo está a segurar um poster de gajas boas para dar dois dedos de conversa.
- Então primo Gervásio tás bom?
- Nem por isso ó Rafael, isto de andar a segurar posters de gajas é uma seca... Todos os dias passam aqui uns marmanjos que ficam a olhar prá gente feitos parvos e ontem tentaram arrancar ali o Maurício do canto superior direito... Mas só conseguiram levar uma unha partida que o tipo é teso!
- Diz-me lá ó Gervásio, tens sabido alguma coisa da Renata, aquela prego muito gira que andava na caixa do homem da carrinha azul?
- Epá não, a miúda andou aí uns tempos a segurar um quadro prós lados do Marquês de Pombal numa casa de ricos, mas a mulher andava a comer um pintas qualquer e o homem foi-se embora e levou o quadro... Ela ficou na rua!
- Que pena, gostava de ir tomar um café com ela... Sabes onde é que era essa casa?
- Opá acho que era na rua das Pretas...
O Rafael sai do Ginásio e resolve ir à Rua das Pretas, quando ouve uma choradeira imensa num caixote do lixo mesmo ao pé do Diário de Notícias...
- Ninguém me quer... Ninguém me preeeeeeeeeeeega!!!
Era a Renata...
- Renata, sou eu o Rafael! Tás bem?
- Nãããão! Fui despedida pela segunda vez numa semana!
- Oh coitada... Olha vamos ali ver o meu primo Gervásio?
- Tá bem
Lá foram eles, ele a rir e ela a ficar mais animada e, chegados à porta do ginásio, ela fica com medo! Não quer entrar e foge a correr para o beco.
O Rafael vai a correr atrás dela e agarra-a quando ela estava a chegar ao caixote do lixo...
- Então miúda que se passa?
- É que aqui estão os meus primos... Vês? Este é o Miguel e este o Serafim
O Rafael, meio desorientado, vê os primos e não diz nada, com vergonha... Ao que a Renata diz
- Sabes Rafael, tou a ficar excitada!
- Excitada como?
- Gostava que me pregasses do tal forma que eu ficasse cravadinha por ti!
E pronto, o Rafael cravou na Renata e viveram felizes pra sempre

Etiquetas:

quarta-feira, março 21, 2007

Uma foto uma história

Chega de mamas, vamos lá arregaçar as mangas e mandar os vossos textos, para posterior publicação para o mail do Bosque
robaine@sapo.pt



E não me digam que a foto não inspira qualquer um...

Etiquetas:

quarta-feira, março 07, 2007

Uma foto uma história

Por: Ness Xpress



- Eu num te disse, pá? Mas tu és teimoso, tinhas que tentar, não era?
- E tu? Alguém te mandou saltar comigo? Num podias ficar atrás, não era?
- Eu não ganhei a alcunha de Zé Salmão em vão, sou campeão chicharral de salto em altura!
- Pois eras, agora já nem por cima de um rabelo saltas!
- Num te bastava saltares por cima do tabuleiro inferior?
- Esse num dá pica, qualquer jaquinzinho é capaz!
- E, já agora, não sabias que o Metro passa aqui em cima, não?
- Olha, o que não sabia é que a Micas peixeira era tão romântica!

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Butterfly



Até que a morte nos separe!


Numa bela manhã, em pleno mar alto, andava Juan a nadar feito louco...por sua vez, Miriam que era a lindona lá nas redondezas passeava tranquila.
Juan e Miriam eram dois carapaus lindíssimos, mas com personalidades muito diferentes.
Enquanto Juan tinha a mania de ser conquistador e nenhuma "gaja" lhe escapava, Miriam era tranquila, sabia o que queria, e tinha as barbatanas bem assentes na água!

Um dia das profundezas do mar alto, Juan vinha com tanta força que....catrapum....lá foi contra a meçinha!
- Olha lá ó parvo, nao vês por onde andas?
- Quem, parvo? Eu?
- Sim tu...pareces louco, se nao sabes nadar...ficas em casa, não?
- Olha-me esta. Por acaso sabes com quem estás a falar ó boneca...?
- Se sei? Não, nem estou interessada! Quem és? Fácil, um carapau estúpido e desmiolado que não sabe o que faz...
Miriam voltou o seu rabo e continuou firme e hirta por lá fora...
- Engraçado...aquela não me escapa...é mesmo gira a moça...e tem cá um feitio!
E lá foi Juan, todo contente tentar saber que fantástica carapau era aquela belezura !
De tantas informações arranjar, Juan até já sabia onde morava a moçoila, e daí nadou para bem perto do seu canto, onde vivia sozinha.
Miriam veio até cá fora, e deu de caras com ele!
- Tu...por aqui?
- Bem eu, sim, sabes...gostava de te pedir desculpa, sei que fui um pouco desastrado há algum tempo atrás...
- Desastrado? Bem, não diria só isso...
- Mas olha lá, eu vim cá para me desculpar, e tu já estás com esse mau feitio?
- Ok ok, tudo bem, estás desculpado, mas nao voltes a fazer o mesmo sim?
- E é só isso que tens para me dizer?
- Claro, que queres mais?
- Bem eu...sabes...achei-te tão bonita!!!!!!!!! Tão magra!!!!!!!!!!
- Magra...eu? Achas mesmo? disse Miriam corada...pois adorava ouvir dizer que era magra.
- Sim magra, e linda, quando te vi, jurei que nunca ninguém nos havia de separar!
Miriam toda contente sorriu envergonhada, apaixonara-se logo por aquele carapau mal formado, mas que a sabia toda.
Assim se foram conhecendo, pouco a pouco, namoraram, e estavam bem felizes, e por incrível que pareça Juan acalmou, não olhou para mais nenhum carapauzinho lindo.
Mais tarde, pescadores foram para alto mar, por azar, Miriam e Juan foram apanhados e levados para o mercado do Porto.
- Olha bem onde viemos parar Juan...
- Sim, se nao fosse esta minha paixão por ti...nada disto acontecia...
- Ai sim?..Melhor estava eu sem ti...
- Ó melhere, não vês que vamos morrer...e ainda estamos a discutir?
- Bem...tens razão meu carapau lindo...então olha, foi amor á primeira vista, e até que a morte nos separe...
A senhora peixeira ao olhar para aqueles dois peixes tão juntinhos, cortou-lhe a cabeça, e pôs lá em cima da mesa a chamar clientes!!!!!!!!!!
- Olha o carapau...fresquinho e bonitinho!
E assim ali ficaram, Juan, e MIriam a olhar um para o outro, embora só lhes restasse a triste cabeça...mas ficaram juntinhos...mesmo depois da morte!


Resumo da História: Lógico que Miriam não era assim tão magra...era bem jeitosa para assar com umas batatinhas a murro, foi o pensamento da senhora que a levou!





Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Legível



O peixe-espada: Ouve lá ó garoupa! Ficamo-nos só por um linguado ou vamos à
praça comprar o que nos falta?

A peixe-garoupa: Acho que já deram ao gato o bocado que te falta e o animal
ainda ficou com fome...

O peixe-espada: Tens muita conversa e nada de rabo, é o que vejo...

A peixe-garoupa: E se tu fosses comer as guelras... aos besugos?!


Cai o pano e afoga-se no mar alto.

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Fresquinha



Nas Bahamas, em plena lua de mel:
- Porque insistes ? Sem o prolongamento caudal, Mónica querida, não poderás receber contribuições inusitadas na cavidade rectal, dizia o Mateus.
- Lá terei que deglutir o batráquio, Mateus ...

Etiquetas:

terça-feira, março 06, 2007

Uma foto uma história

Por: Erecteu



______________________
E tu, estás à espera de quê?
Envia as tuas histórias para
robaine@sapo.pt


Etiquetas:

segunda-feira, março 05, 2007

Uma foto uma história

Sim porque isto não é só vir para aqui arreganhar a tacha, também é preciso trabalhinho.

Vá lá, inspirem-se mas não se esquecem de expirar também os vossos textos para o mail do Bosque em:

robaine@sapo.pt

A foto desta semana é até muito inspiradora (digo eu)...



Fico à espera ;-)

Etiquetas:

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Uma foto uma história

Por: Fresquinha



Era uma vez uma Vénus de Pilus. Vivia no Bosque da Robina. Pilava, pilava, pilava escondida atrás de uma árvore. Até que um dia apareceu um Lobo Mau. Escondeu-se atràs da giesta a ver a Vénus pilar. A Vénus que era alta e tinha dois bracinhos, deu logo por ele e gritou lá do alto:
- "Ó meu rico Lobo Mau !!!! Voltaste ! Então, já comeste a Capuchinha ?
E o Lobo que ainda estava a fazer a digestão da avó e da Capuchinha, e que mal podia falar, respondeu muito aflito:
- Não te depiles, ó Venús de Pilus, não te depiles, que eu já te como. Deixa-me só pôr um Kompensan dos meus debaixo da língua, e sou todo teu!
A Vénus, acabou as pataniscas, ficou delirante e responde:
- Eu espero, Lobo Mau, eu espero. Não te quero enfartado. Faz lá a digestão devagar, que eu espero. Enquanto eu tiver a mão direita, não há fartura que eu não aguente.
E o Lobo Mau, sacou da caixa das pílulas todas e meteu-as na boca. Começa a ver tudo a andar à roda, a andar à roda .... e morre, sem comer a Vénus de Pilus.
O George Clooney que andava a apanhar cogumelos para fazer o chazinho dos alucinogéneos das cinco, apanha a Vénus de Pilus distraída e Zás, faz-lhe um clone. Pega no carrito da Vénus, entra pelo portão mais próximo da aldeia, e amarra-a ao frigorífico.

Moral da história: Não sei.

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Ness Xpress



Brincadeiras no bosque


Tinha-lhe dito que era perigoso. Ela sabia o quanto ele gostava de passear pelo bosque, a pé, em duas rodas ou mesmo mais, muito embora esta opção contrariasse o espírito ecológico da jornada. Por essa razão davam juntos e de mão dada longos passeios pedestres por entre as frondosas árvores, quantas vezes se ocultando atrás de densos arbustos para melhor contemplar tudo o que de bom a natureza oferece, quer um fresco cogumelo, quer um
escaldante pepino, aquecido por um raio de sol emergindo da folhagem.

Mas tinha aquela mania da velocidade, montando furiosamente o veículo não poluente de passageiro único, máquina com a qual ela convivia mal, pois as mulheres não gostam da partilha do prazer, nem que seja com engenhos frios e mudos.

Preparou-lhe então uma surpresa, consciente que era do efeito inebriante que o inesperado, o bom inesperado, operava nele. Estudou o percurso, encontrou o local perfeito e deixou-se ficar à sua espera, preparando a bela roupagem para o momento. Desconhecedora das armadilhas do bosque, não deu conta da lage polida à sua frente. Ouviu um ramo partir-se sob as rodas, no caminho acima de si, e chegou-se à frente. Quando o viu deixou cair o vestido, num gesto rápido e belo. Ele olhou aquela maravilhosa nudez, perdendo num ápice a noção da condução, apertou com força os travões hidráulicos no fatídico momento em que a roda da frente entrava na lage xistosa, coberta por uma fina película de musgo invisível, tão deslizante quanto gelo. A bicicleta
inclinou-se vertiginosamente sobre a direita, ele saiu inevitavelmente para a esquerda e ainda olhava para os seus magníficos seios quando a mão esquerda atingiu o solo, de braço esticado e sentiu o estalido denunciador da falta de atenção e da punição pelo pecado.

Tão envergonhada quanto aflita, precipitou-se para ele compondo, como podia, as vestes caídas.

“Querida, durante o próximo mês só poderei escrever com a mão direita”.

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Psique



No bosque da Robina

Perdi-me e encontrei-me

Já ri a gargalhada

Fugi do disparate

Refugiei-me na beira da estrada

Com tamanha obra de arte

Sou donzela desprotegida

Neste bosque encantador

Qual Musa encantada

A espera de trovador

Entre a folhagem verde

Pintada com belos castanhos

Protejo o meu belo peito

Do desnude total

Com receio de ser vista

Procuro no meio das folhas

Um capa bem Bonita

Para puder usar

Na festa que esta prevista

Parabéns Robina

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Butterfly



Havia um lindo Bosque...
Onde a brisa que por lá corria, era, fresca e pura!
O Bosque era bastante conhecido, mas só por algumas pessoas, porque todas essas pessoas que conheciam aquele lindo sítio tão agradável, não divulgavam a ninguém, para que o ambiente não se tornasse chato, com muitas mais existências!
Aquela zona verde tinha nome...um nome de alguém, cujo muito simpática, e é através desse alguém que se desenrola uma história engraçada, a qual vou contar!


"Robina era uma mulher madura, exigente, simpática e conservadora!
Tinha uma imagem triste...mas agradável, mas, como não conhecia muita gente tornou-se numa pessoa pacata...e até envergonhada!
Até que, certo dia, Robina estava no seu dia de folga, ela trabalhava num sitio chato e passava a vida rodeada de papéis.
Nessa folga Robina, teimou de fazer um grande passeio...Preferiu ir descobrir sitios novos em contacto com a Mãe natureza.
Depois de tanto andar Robina parou para descansar, sentia os pés pesados e com bolhas, por tanto tempo de caminho, e nunca mais se apercebeu onde estava.
Assim que as suas pernas já não tremiam de cansaço, Robina abriu os seus grandes olhos verdes rasgados e olhou em volta...
- Engraçado!... Não conhecia este lugar!
Fez-se um silêncio demorado!
Ouvia-se apenas os pássaros a chilrar e a brisa do vento calmo...
Folhas começaram a levantar, secas do autêntico Outono, de cores misturadas pela época, que as fazia ressequir...
Robina pegou numa folha e ao admira-la disse:
- Que lindo Bosque...
- Como posso eu não me ter apercebido deste lugar?
Seus olhos brilharam, cheios de ideias fantásticas.
- Aqui, vai ser o meu canto!
- O meu Bosque secreto, onde lhe darei o meu nome, e a mim, somente a mim, irá pertencer!
Suas palavras foram cheias de convicção, parecia que aquela mulher se tinha envolvido por uma magia de tal forma...que nada mais a preocupava!
Robina começou a percorrer todo o Bosque, e a descobrir cantinho por cantinho!
Era grande, era puro, pelo facto de não ser conhecido por mais ninguém.
- Engraçado...até parece que foi feito mesmo para mim, será o meu maior tesouro o meu maior segredo...
Começou a escurecer, Robina tinha que voltar para casa; mas com a ânsia perdera a noção do tempo. Estava escuro e ela mal via o caminho de volta, mas por "milagre", dois pássaros lindos e grandes mostraram-lhe o caminho, com um canto de alto som, Robina foi seguindo e acabou por encontrar a saída!
- Obrigada amigos!
- Prometo que todos os dias virei cá! chova ou faça sol, não vou perder um dia sem visitar este Bosque...o Bosque da Robina!
Naquela noite, Robina dormiu num sono profundo, como se a sua alma fosse de encontro com o seu lugar precioso...
Tudo começou a mudar depois desse dia. A mulher pacata e envergonhada tornou-se numa mulher Feliz, cheia de ideias, cheia de vontades, com garra de começar a fazer novas amizades, fazer bonitas e sinceras amizades!
A partir daí, aquela mulher especial começou a conhecer novas pessoas, e começou a criar afinidades entre elas, nunca deixando de aparecer no seu Bosque onde desabafava todos os seus sentimentos e acontecimentos.
Com o passar do tempo, Robina começou a convidar os seus amigos(as) mais especiais para conhecerem o seu Bosque, mas com a promessa de não revelarem a ninguém...
Alguns amigos(as) já estavam tão habituados, que todos os dias marcavam de se encontrarem todos lá, e claro com a presença principal.
O bosque estava quase a fazer três anos, desde a descoberta de Rob.
Foi nessa altura que todos os seus amigos, prepararam-lhe uma surpresa!
Ergueram uma estátua, como símbolo de amizade e como símbolo da existência principal...Robina!
Aquela seria a sua marca no Bosque, uma estátua, de uma mulher, á qual teria o seu nome.
muitas alegrias, muitas confissões foram ali divulgadas, e nunca mais, ninguém iria esquecer aquele Bosque...nunca Mais!"

Etiquetas:

Uma foto uma história

Por: Sr. António



Há muito que me tinha perdido nas entranhas deste bosque. Buscava uma solidão retemperadora, que sarasse as feridas de um passado doloroso. A estátua da Deusa de Pedra era o meu ponto de referência, perdia-me em pensamentos sinistros, sentado a seus pés. Promovia uma existência errante de quem apenas precisa de conhecer o Norte para evitar voltar ao ponto de partida. Sentia-me bem assim, envolvido comigo próprio, siderado com a beleza desta figura intemporal, tendo apenas o chilrear dos pássaros como companhia. Temia o conhecido e abraçava sem reservas o obscuro. Apaixonei-me pelo silêncio cúmplice desta Deusa de Pedra, que pacientemente me ouvia, sem nunca apresentar um esgar de repulsa ou desacordo.

Intrigava-me o contraste entre a frieza da pedra e a quente sensualidade do seu aspecto. Era impossível definir com exactidão os sentimentos que fluíam ao observar o seu olhar preso num horizonte próximo, tão próximo quanto exíguo era o espaço deste emaranhado de árvores e folhas. Não cheguei a contar os dias, as semanas, meses ou anos que posso ter passado neste meu estado de letargia junto a esta Deusa do Bosque.

Um dia, como que embriagado por um sonho na eminência do despertar, ouvi uma voz doce: "Também eu já estive sentada aos pés de um suposto Deus de Pedra neste mesmo local. Também eu me refugiei de um mundo que não me queria entender e ao qual não tinha forças, nem vontade para compreender...lamento...oh se lamento!", "Mas...mas...tu és a minha Deusa...não pode ser...devo estar entorpecido por um sonho que não me permite despertar...eu...","Não digas mais. Tu não estás a sonhar. Esta vai ser a tua realidade de hoje em diante. Aqui ficarás em meu lugar, até que alguém venha quebrar esse coração de pedra que agora possuis, e que não te permitiu valorizar a vida que te foi proporcionada, que te toldou os sentidos de tal modo que a tua felicidade começou a ser sinónimo da companhia de uma figura de pedra que nem sequer te podia retorquir. A mãe-natureza dá, a mãe-natureza tira. Eu aprendi a lição e estou livre, graças a ti, alguém que finalmente poderá ficar em meu lugar. Agora resta-te aguardar, ouvir sem poder falar, concordar pela simples incapacidade de poder contrariar, e esperar que alguém venha ocupar o teu lugar. Alguém que possua a mesma frieza para com a humanidade como tu possuis neste momento. Até nunca mais, pois nunca mais aqui poderei voltar"."Espera...espera...", só então percebi que as minhas palavras já não eram mais do que pensamento sem expressão fonética, limitei-me a vê-la correr, abandonando o local com a mesma força com que eu corri até ele.

.

Etiquetas:

Uma foto uma legenda

Por: Rafeiro Perfumado



LEGENDA
Esta estátua, datada do Séc. XVIII, imortaliza o momento em que D. Rafeiro, reconhecido engatatão da época, foi obrigado a fugir apressadamente da casa de D. Engrácia, alertado pelo movimento de abertura da porta efectuado pelo marido da mesma, D. Armação Pio. Consta que D. Engrácia terá gritado "Ai Jesus o meu marido e eu nestes trajes! Onde ides, D. Rafeiro? Isso não é a janela, é o armário!". D. Rafeiro safou-se à justa, tendo prometido a si mesmo imortalizar essa aventura (ainda por cima tendo deixado o serviço a meio) pelo que resolveu encomendar esta estátua.



Etiquetas:

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Uma foto uma história

Inspirem-se e toca a escrever uma história relacionada com a foto.

O Bosque está a fazer 3 anos e era giro ver as vossas histórias desfilar por aqui na próxima terça-feira...



As histórias devem ser, como habitualmente, enviadas para o mail do bosque: robaine@sapo.pt

Etiquetas:

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Uma foto uma história

Por: Manganão das dúzias



"Estás a ver esta garrafinha? Estás?.. Olha bem para ela e pensa comigo o que ela representou e para o que irá servir...

Antigamente, esta garrafa era o invólucro sagrado onde guardava para ti todo o meu amor. Todos os suspiros, todos os desejos, todas as vontades que me suscitaste ao longo do tempo fui guardando nesta garrafa, nesta garrafa de loucura, de sonhos que ficaram por cumprir...

Mas tu tinhas que a abrir, não tinhas? Não podias deixar que ela permanecesse fechada e casta, não, tu tinhas de a abrir, porque tinhas e porque não soubeste respeitar os meus sentimentos.

Agora, olha, a garrafa está vazia, gota a gota foi secando, como podes verificar, e do amor antigo nada sobrou. Agora, olha, só sobrou por ti uma coisa. Não te digo qual é, mas guarda a garrafita, que ainda te será de grande utilidade agora que parti..."

Etiquetas: ,

Uma foto uma história

Por: Ness Xpress



O furador

E lá vinha mais uma comemoração pessoal imposta pelo calendário dos outros. Bem lutava contra elas, as impostas, mas sabia que, mesmo que se esforçasse no dia-a-dia, quando se conseguia disciplinar para tal, havia sempre um gostinho residual na boca, à força da avalanche televisiva, radiofónica, do escaparate das lojas e da restante máquina de criação de necessidades onde elas não existem, que impunha algo de diferente, por muito parecido que fosse com outros dias não esperados. Felizmente, a mente feminina que não se consegue alhear da hipnose colectiva é a mesma que liga o interruptor logo que percebe um pequeno gesto mais afectivo.

Daí que, enquanto furava um conjunto de folhas para arquivar, se tenha recordado da pergunta mais feminina de todas e tenha arquitectado, perdão, engendrado, que a acção seria muito mais executiva, um plano infalível. Agarrou no lápis, que é como quem diz no rato do computador e desenhou um punção para executar na serralharia. Desenhou uma matriz com a mesma forma e pediu ao seu mais dotado mecânico que a montasse no furador. Foi, então, comprar uma cartolina vermelha, que se entreteve a recortar enquanto sorvia um café em pequenos goles. Abriu o frasco de perfume comprado para o efeito e juntou-lhe todos os pedacinhos recolhidos.

Quando o momento chegou, colocou o embrulho em cima da mesinha de cabeceira e esperou pela pergunta fatal: “Gostas de mim, gostas?”. Sorriu e respondeu “Sim” como habitualmente, matreiro, à espera da pergunta disparada logo de seguida: “Quantos ...”. Desta vez não a deixou terminar a frase. Calou-lhe os lábios com o dedo indicador, pegou no frasquinho ainda embrulhado e respondeu: “Tanto quantos os corações dentro deste frasco”.

Acertou na reacção dela. Só não previu que o perfume se evaporaria antes do final da noite.

Etiquetas: ,

Sign by Danasoft - Layouts and Images